Encaboca remete ao termo caboclo, etnia predominante da cidade de Prado. A etnia cabocla representa o início da colonização portuguesa, o momento da fusão entre os brancos portugueses e os indígenas nativos da região. Uma fusão que resulta de uma relação de poder, que se perpetua até hoje entre os moradores da cidade que acreditam que os caboclos representam uma etnia “inferior”. Ainda hoje, grande parte dos nativos pradenses sentem vergonha de se declararem caboclos, o que demonstra que o vírus da colonização ainda repercute entre nós. Para além das questões étnicas, “encabocar” significa também voltar-se para si mesmo, voltar-se para seu interior, atitude requisitada pela atual pandemia do coronavírus.
A instalação Encaboca é formada por duas peças:
1) Instalação visual e sonora em um tronco de madeira que é remanescente de uma antiga família de caboclos que, no passado, habitou o espaço cultural Campo da Doida. Fotos distribuídas no tronco de madeira, caixinhas de som ocultas e iluminação com candeeiros comporão a instalação Encaboca;
2) Lambe com caixinhas de som ocultas e iluminação de gambiarra.
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